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20 de Janeiro de 2017
Turismo no foco do investimento em Portugal
Reabilitação urbana e segmento de escritórios contam-se entre os segmentos mais dinâmicos em 2017
 
Com a procura a superar a oferta, várias insígnias hoteleiras internacionais demonstram interesse em Portugal
 
O turismo, juntamente com a reabilitação urbana e o segmento de escritórios, contam-se entre os segmentos mais dinâmicos do mercado imobiliário em 2017. De acordo com a consultora CBRE, na sua apresentação anual de resultados e perspetivas para 2017, e no que se refere ao turismo, Lisboa, Porto e Algarve serão as zonas turísticas mais dinâmicas no mercado este ano. Com a procura a superar a oferta, “muitas marcas têm interesse em vir para Portugal” como até então não tinham tido, notou Eduardo Abreu, partner da Neoturis (participada da CBRE). 
 
Este especialista destacou que a cadeia hoteleira do Qatar W (que abrirá em 2018 a primeira unidade em Portugal, mais concretamente em Albufeira) é um dos exemplos, mas também a Hilton tem interesse no nosso país, sendo apenas dois exemplos. Por outro lado, “vão sair do papel alguns projetos parados desde 2009”, avançando “em fases mais pequenas”.
 
Contudo, a habitação compete com a hotelaria, principalmente em Lisboa, em termos de valor e de retorno do investimento, o que terá levado a que alguns ativos acabem por ser colocados neste mercado e não sejam transformados em hotéis: “A alternativa do proprietário para habitação baralha as contas”, explica Eduardo Abreu, até porque “um hotel demora uma média de 12 anos para dar lucro”, ao passo que algumas unidades residenciais podem já dar rendimento no início ou mesmo antes do projeto, além de este ser superior ao da hotelaria.
 
 
Reabilitação é finita
 
Fechando o ano passado com um investimento imobiliário comercial total de 1300 milhões de euros, a CBRE adianta que, este ano, “em resultado da manutenção das taxas de juro a níveis historicamente baixos, vai continuar a existir uma forte procura de imóveis de rendimento e imóveis para reabilitação”. 
 
Por outro lado, “os investidores estão conscientes que têm de assumir mais risco para obter rentabilidades mais elevadas”, incluindo os investidores core. A consultora acredita que este fator, “conjugado com a escassez de oferta de escritórios de qualidade, irá ter como consequência a retoma da promoção imobiliária e a consequente venda de terrenos para construção de escritórios, habitação e logística”, pois “a reabilitação não é infinita”, notou o diretor geral da CBRE em Portugal, Francisco Horta e Costa.
 
Este responsável destacou que “vai continuar a haver muita procura para rendimento e reabilitação urbana, haja produto. E as rentabilidades vão continuar a subir este ano”, num cenário em que “continua a haver muito dinheiro para investir em imobiliário”. 
 
Por outro lado, a procura de escritórios por parte de empresas de nearshore “vai implicar a expansão do mercado de escritórios para outras cidades como Porto e Braga”.
 
A consultora destaca também, enquanto tendência para este ano, o facto de que os bancos recapitalizados, com novos acionistas e nível significativo de imparidades registadas, deverão acelerar a venda de ativos, “o que terá um impacto positivo na dinâmica de mercado” este ano.
 
 
Imobiliário comercial atrai
 
Também a Cushman & Wakefield apresentou as suas perspetivas para 2017. Segundo Eric van Leuven, diretor-geral da consultora em Portugal, “o volume de investimento imobiliário no sector comercial em Portugal aproximou-se em 2016 dos 1300 milhões de euros. Se é certo que este volume traduza uma queda face ao ano passado, no qual as transações de investimento se aproximaram dos dois mil milhões, este valor é o segundo mais alto da história do mercado de investimento em imobiliário comercial, apenas ultrapassado por 2015”.
 
Os investidores estrangeiros mantêm uma forte atividade no mercado, tendo sido responsáveis por 82% do volume. O sector que maior capital atraiu foi o de escritórios, ultrapassando os 600 milhões de euros e atingindo com este valor um máximo histórico. 
 
O mercado de retalho manteve também a sua grande atratividade, num total de mais de 500 milhões de euros negociados. A reabilitação urbana mostrou-se igualmente atrativa para investidores nacionais e estrangeiros, sendo conhecidos cerca de 30 negócios cujo valor acumulado ultrapassou os 480 milhões de euros. Esta amostra regista um valor médio de transação por metro quadrado de aproximadamente 1.700 euros. 
 
Por seu turno, a consultora Worx considera que a reabilitação urbana continuará a conquistar importância no desenvolvimento do mercado português. E, neste campo salienta “a flexibilidade dos novos planos diretores municipais, algumas inovações relativas ao controlo prévio de operações urbanísticas e um maior conhecimento do mercado imobiliário por parte dos investidores estrangeiros”, afirma Pedro Rutkowski, CEO da empresa.

Para agora, “resta alargar os resultados positivos alcançados também aos imóveis do centro da cidade que ainda não atingiram um estatuto comercial tão apelativo, se possível num quadro de maior racionalização dos riscos”, diz o CEO.

A seu ver, “o mercado pode continuar num registo de evolução positivo, mas para tal é necessário que se aposte numa estratégia de promoção pura, no sentido de serem criadas todas as condições de mercado para responder eficazmente aos requisitos atuais da procura”.

Retalho e escritórios em alta

De acordo com a análise desenvolvida pela Cushman & Wakefield, foram fechados cerca de 450 negócios na área do retalho, que terão ultrapassado os 190.000 m2. Em 2015 esta amostra revelava cerca de 300 operações numa área que se aproximava dos 160.000 m2.

No mercado de escritórios, de Janeiro a Novembro foram transacionados cerca de 120 mil m2 de escritórios na Grande Lisboa, e é estimado que o ano tenha encerrado com uma área total procurada na ordem dos 130 mil m2, em linha com a média dos últimos 10 anos. 

Fonte: Publico Imobiliário
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